quarta-feira, 18 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eu sou Portuguesa, e isso (as vezes) me entristece

Quando leio noticias como esta, sinto vergonha. E toda a gente sabe o quanto eu adoro o meu pais.

No outro dia, fiz um homem adulto chorar

Ok, não fui bem eu que o pus a chorar, foram mais as memorias do passado.

Após um cocktail bem regado a vinho, um parceiro da nossa empresa, com quem trabalhamos nos últimos meses, resolveu brindar comigo por ser uma portuguesa simpática. Nas palavras dele, mudei a imagem que ele tinha dos portugueses. E acrescentou: "because you know, I was in Timor Leste when..." e começa a chorar. Não estou a falar apenas da lagriminha no canto do olho. Alimentado pelo alcool, ele solucava e sorvia ar como um peixe fora de agua.

Não dei mais azo aquela conversa pelo claro trauma do senhor, mas isso abriu uma nova discussão com alguns amigos indonesios. E mais uma vez fui relembrada da forca do quarto poder, que mesmo numa época pós Suharto, numa época livre de censura e em que a liberdade de imprensa lutava por se afirmar, escolheu tomar partido do nacionalismo indonésio e veiculou mensagens como "as tropas portuguesas torturaram indonésios em Timor", ou "os portugueses estão a forcar os timorenses a eleições".

Esqueçam os 80.000 timorenses que ao longo de 25 anos foram assassinados pelas tropas indonésias. Esqueçam os jornalistas australianos brutalmente apanhados no meio desta guerra. Esqueçam o massacre de Dili. Esqueçam tudo o resto, pois na realidade, a Indonésia apenas procurava salvar Timor da ocupação colonialista de Portugal, e substitui-la inicialmente pela ditatorial, e posteriormente republicana, indonésia. E muitos indonésios (não todos), ainda hoje são da opinião que a maioria dos timorenses querem voltar a pertencer a Indonésia. Eu sei porque a Indonésia gostaria de voltar a ter Timor Leste. E ate percebo porque Timor Leste poderia querer ser parte da Indonésia. A moral que tiro desta historia reside tão só e somente na forca deste quarto poder.

Uma pequena nota: Nunca estive em Timor. Pelo que ouço, eh ainda hoje uma confusão, um pais despedaçado e a ser lentamente drenado de recursos pelas empresas parceiras das NU.





quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mommy is coming

Com a tia, por 15 dias, 3 fins-de-semana. E sim, tenho saudades, porque sou uma menina da mama e do papa e da titia. Quase com 30 anos e digo-o com muito orgulho.

So gostava de fazer a viagem que as sortudas vão fazer!

domingo, 8 de maio de 2011

Furar esquemas

O Governo indonésio faz sempre bandeira das rígidas medidas de segurança que aplica a todos os seus eventos, particularmente os que envolvem altas figuras de Estado. Mas acho que nao contaram com buleis atrasadas a romper o esquema.

Quinta passada tive um grande evento. ASEAN-EU Business Summit. So pelo nome já impõe respeito. O evento decorreu no Jakarta Convention Center (uma Exponor ou FIL local), e contou com a presença do Presidente da Republica Indonésia. Por essa razão, e porque neste pais há atentados a bomba, o parque de estacionamento e acessos aos JCC estavam fechados e condicionados, autorizados apenas a viaturas oficiais e carros de embaixadores. Mas a Guia estava atrasada.

A Guia pediu ao ojek para entrar no recinto. E o ojek, sem consciência nenhuma do que se estava a passar, entrou a abrir. Atravessou o parque de estacionamento vazio de carros e cheio de policia, atravessou a formatura dos Policias Militares, e parou a mando da Guia em frente a porta de entrada. Nao sei o que os policias mais miravam com surpresa: se a audacia do ojek ao atravessar o recinto ja fechado, se a bulei com batik (traje tradicional) que ele carregava no dorso da mota.

A Guia tirou o capacete, atirou-lho para o colo junto com as notas devidas, e voou para a entrada antes que um qualquer policia achasse que a Guia tinha uma bomba amarrada a cintura. Mas não sem antes ouvir os policias a mandar vir com o pobre Ojek.

E no dia seguinte, a Guia riu com esta noticia:

KL

Dado que o meu visto requer que eu saia do país uma vez por mês a fim de obter um novo visa on arrival (oooooooh), fui visitar Kuala Lumpur.

KL é uma cidade absolutamente desenvolvida, que mistura de forma elegante a religião muçulmana e hindu, com todas as vantagens de uma pólis. Por ser uma cidade recente peca pela falta de atracções turísticas, mas o que lhe falta em sightseeing compensa (largamente) no potencial de compras - o que a torna na cidade perfeita para um fim de semana. Recomendo claro, uma visita às Batu Caves, templo hindu em grutas escavadas na rocha, muito diferentes do que estamos habituados. 

Para os shopping addicts, é fácil perder-se entre os vários shopping malls, mas qualquer viagem de compras não fica completa sem uma visita ao Central Market de Chinatown, na famosa Petaling Street. Este mercado está aberto todo o dia e parte da noite, transformando-se depois do almoço, com uma corrida louca na montagem de pequenos stalls para venda de tudo o que se possa imaginar. Uma cidade dentro de uma rua, que nos faz perder a cabeça. Dá para um dia inteiro!

A noite rivaliza com a noite lisboeta, com a diferença que tudo aqui é novidade para mim, ergo bastante mais interessante e envolvente. E com a vantagem de poder terminar num qualquer warung (café de rua, totalmente aberto), que invariavelmente estão abertos 24 horas. Recomendo vivamente provar o Roti Qeju. Salivo só de lembrar....

E a comida...bom... toda a gente louva a comida malaia, e deixem-me que vos diga, não está nada mal. O meu conselho será sempre visitarem a famosa Lola, a dona do restaurante Lim Kim, em Jalan Alor (Bukit Bintang). Provem a raia, o chicken fish e os sea snails, peçam camarão e celebrem a conta final que não deverá exceder os 5-7 euros, mesmo com cerveja à refeição. Perguntam vocês: porquê famosa? Bom, Lola na realidade é uma alcunha dada a esta senhora pelos espanhóis que a visitam, uma vez que ela foi entrevistada por duas vezes para um canal de tv espanhol (e faz questão de repetir que é famosa em Espanha nas conversas que tem com os seus convivas). 

A foto da praxe junto das Petronas completa o ramalhete e voilá! KL está visto!

Petronas by Night - quando são realmente impressionantes.

Uma qualquer rua em Bukit Bintang.

O que eu comi, senhores...! Ui!!!!

Chicken Fish. YUM YUM.

A famosa Lola. 
My first time on a Tram.

Jalan Petaling, ou shopping heaven.

Batu Caves. 

Little Monkey, Big Balls.

Um país altamente muçulmano.

Petronas vistas do topo da Torre de KL.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Ponha o dedo no ar quem ja viu melancia amarela

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Sobre trabalho (sim, porque eu vim para a Indonésia trabalhar!)

"Laissez faire, laissez passer"* não é o meu estilo de liderança.

*Liderança liberal ou Laissez faire: Laissez-faire é a contração da expressão em língua francesa laissez faire, laissez aller, laissez passer, que significa literalmente "deixai fazer, deixai ir, deixai passar". Neste tipo de liderança as pessoas tem mais liberdade na execução dos seus projetos, indicando possivelmente uma equipe madura, auto dirigida e que não necessita de supervisão constante. Por outro lado, a Liderança liberal também pode ser indício de uma liderança negligente e fraca, onde o líder deixa passar falhas e erros sem corrigi-los.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Indonesia - We are ready!


Este eh o slogan da Câmara do Comercio. E a boa da verdade eh que a Indonésia esta efectivamente pronta, mas pelos vistos ainda não chegou  a vez dela. Por isso venho, nas palavras de um sábio mestre marketeer com quem tive o privilegio de cruzar caminho, e que muito admiro, "evangelizar a Indonésia".

As relações entre os nossos países nunca foram as melhores, por razoes históricas (nos invadimo-los há 500 anos atrás, eles invadiram Timor Leste há 20, dizem que amor com amor se paga).Mas toda e qualquer animosidade mantém-se apenas presente nas mentes dos portugueses, que podem não falar sobre o assunto, mas não esquecem. Por exemplo, qual foi a ultima pessoa que ouviram dizer que foi passar ferias a Indonésia em vez de dizerem "a Bali"? Como se Bali fosse um estado independente e não a ilha mais devastadoramente gasta pelos turistas dentro deste enorme arquipélago...

Deixem-me que vos diga: para os poucos que tem estômago para enfrentar a poluição e caos citadino, as duras estradas e a condução Indonésia, o paraíso aguarda-os. A Indonésia eh um pais de beleza extraordinária e profunda, suplantada apenas pelo sorriso sincero e ingénuo dos indonésios.Um equilíbrio quase perfeito. Ha muito a fazer pela Indonesia? Ha. Muito, mesmo. Mas o que por cá existe já e mais do que suficiente.

Uma historia dentro de uma historia: a primeira vez que me apaixonei pelo sudeste asiático foi a primeira vez que visitei Bangkok. Tinha 16 anos, já conhecia algo do mundo desenvolvido e ate dos países ditos subdesenvolvidos. Cativou-me o calor, asfixiante por vezes, mas sempre envolvente. Cativou-me a confusão. Cativaram-me as pessoas e a facilidade com que entregavam um sorriso. As suas vidas simples. A liberdade com que se sentavam no chão para uma refeição, e a flexibilidade com que se moviam.Cativaram-me os cheiros, o ruído permanente, a ausência aparente de regras e o luxo a preço da chuva. Cativaram-me as expressões. A ausência de tristeza, a ausência de dor ou sofrimento.Cativou-me a diferença.

A Indonésia, com todos os seus defeitos, traz-me todos os dias a memoria essas primeiras impressões do sudeste asiático, a paixao que senti desde as primeiras golfadas de ar quente e húmido, quase impossível de respirar, qual panela de pressão. Sou feliz aqui.

A matanca do porco






Não eh comum encontrar pedaços de gastronomia indonésia feitos com porco, dada a natureza muçulmana do pais. E com estes requintes de malvadez, eu ate compreendo. Quem no seu perfeito juízo quereria comer um pão com o formato de um suíno fofinho tirado da historia dos 3 Porquinhos?
Aqui a loba ma. Dei uma dentadinha. Pão insípido, quase como hóstia, recheio doce e altamente condimentado, uma pasta de porco que não lembra a ninguém. Not for my taste. Mas fica bem na foto!